Campylobacter

Campylobacter
FARMACIA
Introdução

As espécies do gênero Campylobacter são agentes de doenças do homem e dos animais domésticos. Componentes da flora intestinal de animais domésticos e silvestres disseminam-se pelo meio ambiente e contaminam a água, as pastagens e as culturas vegetais (Hunt et al., 2001). Nas quatro últimas décadas

Campylobacter spp. reapareceu como um organismo emergente e despontou como importante agente de gastroenterite de origem alimentar em várias partes do mundo (Butzler, 2004).

As aves domésticas albergam Campylobacter spp. no intestino que por meio de manipulação e operações de abate mal conduzidas e sem a observação de práticas higiênicas, contaminam a carcaça e as vísceras. Carne e miúdos de frango são fontes potenciais de Campylobacter spp. para o homem (Carvalho e Costa, 1996; Carvalho; LIMA; PEREIRA, 2002).

A microaerófilas como o Campylobacter pode causar distúrbios intestinais, são também capnófilas, ou seja, organismos que gostam de dióxido de carbono (BLACK, 2002). O frango é o principal veiculador do Campylobacter causa disfunção intestinal, que é a diarreia (BROCK, 2004).

Características do Camylobacter: diâmetro celular 1µ; microaerofílifca anaeróbio, patogênico, ou comensal de humanos e animais; flagelo polar único. São espirilos gram negativo moveis, sendo cultivados a partir de espécimes clinicas, em meios incubados de baixas tensões de oxigênio (3 a 15%, e altas tensões de gás carbônicos de3 a 10%) (BROCK, 2004).

Enterotoxinas são exotoxinas que atuam no intestino delgado e geralmente provoca uma maciça secreção de fluidos para o lúmen intestinal, promovendo vômitos e diarreia. As enterotoxinas são produzidas por uma variedade de bactérias, incluindo os organismos causadores de intoxicação alimentar. Staphylococcus aureus, Clostridium prefringens e Bacillus cereus, assim como os patogenos intestinais Vibrio cholerae, Escherichia coli e Samonella enteritidis.

Transmissão

- Campylobacter jejuni e c. coli
A transmissão da campylobacter jejuni e c. coli é dada pela via fecal-oral, podendo também ser por contato direto com animais domésticos infectados, pois muitos animais domésticos são portadores assintomáticos da doença ou por agua e/ou comida contaminada. A c. jejuni também pode estar presente em secreções vaginais, fetos, membrana fetal . Carnes avícolas são meio de infecção pois segundo Fonseca (2006) 75% das aves apresentam C.jejuni e/ou C.coli , moscas são vetores mecânicos por transportar essas bactérias do meio externo para o interno das granjas, além de, leite sem processos de desinfecção, mariscos crus e água sem cloro.

- Campylobacter fetus subsp. Fetus

As Campylobacter fetus subsp. fetus São transmitidas pela ingestão de gado, carneiros e ovelhas. Pois estes animais podem ser contaminados pelo contato com fezes, secreções vaginais entre outros. Bois também podem transmitir c.fetus depois de serem colocados junto às vacas no pasto, alguns podem ser portadores permanentes por anos.

Cultura

C. jejuni, E. coli e c. epsaliensis não foram reconhecidos por muitos anos, porque o isolamento de muicroorganismo requer crescimento em atmosfera microaerófila, temperatura de incubação elevada (42 °C) e meio de cultura seletivo (MURRAY; ROSENTHAL; PFALLER, 2009).

A atmosfera apropriada para o crescimento desses microrganismos pode ser produzida por um dispositivo comercial gerador de gases que é colocado no interior de uma jarra de incubação contendo os meios de culturas semeados (MURRAY; ROSENTHAL; PFALLER, 2009).

O meio seletivo deve conter sangue ou carvão para remover os radicais e o oxigênio tóxico e devem ser adicionados antimicrobianos utilizados na maioria dos meios seletivos, podem inibir algumas espécies como, por exemplo, o C. upsaliensis. Os membros do gênero Campylobacter são microrganismos contaminantes (MURRAY; ROSENTHAL; PFALLER, 2009).
Infelizmente, os antimicrobianos utilizados na maioria dos meios seletivos podem inibir algumas espécies como exemplo, o C. upsaliensis os membros do género Campylobacter são microrganismo de crescimento lento, geralmente necessitando de 48 a 72 horas ou mais de incubação. C. fetus não é termófilo e, desse modo, não cresce a42°C, entretanto, seu isolamento requer atmosfera microaerófila (MURRAY; ROSENTHAL; PFALLER, 2009).

Epidemias de gastroenterite e doenças infecciosas causando por contaminação da água e de alimentos como consequência inundação, e interrupção do fornecimento de água limpa e tratamento de esgoto, após fontes chuvas e outros desastres ambientais (ROBBINS, 2010).

A gastroenterite é caracterizada por vômitos e diarreia em um período de 1-6 horas (MADIGAN, 2004).

Os superantigenos estimulam grande números de células T, que por sua vez, passam a liberar mediadores intracelulares, denominados citoxinas, levando a uma resposta inflamatória generalizada no intestino a qual resulta em uma gastroenterite associada a intensa perda de fluidos intestinais (MADIGAN, 2004).

Varias espécies de Salmonela podem provocar gastroenterite transmitidas por alimento (MADIGAN, 2004).

Acredita-se que o maior número de infecção anuais transmitida por alimentos, esteja associado ao vírus. Geralmente, as doenças alimentares, de origem viral consistem em gastroenterite, caracterizados por diarreia frequentemente acompanhadas de náuseas e vômitos (MADIGAN, 2004).

A ciclosporíase corresponde a uma gastroenterite aguda, sendo considerada uma importante doença emergente (MADIGAN, 2004).

Toxoplasma gondii corresponde a um parasita disseminado a partir das fezes do gato, embora seja também encontrada em carnes cruas ou pouco cozidas. Na maioria dos indivíduos, a toxoplasmose provoca uma gastroenterite branda e autolimitante (MADIGAN, 2004).
Tratamento e prevenção

A gastrenterite causada por Campylobacter é tipicamente uma infeção autolimitada tratada pela reposição de líquidos e eletrolitos perdidos. As espécies de Campylobacter são susceptíveis a uma grande variedade de antimicrobianos, incluído macrolideos (eritromicina, azitromicina, clindamicina), tetraciclina, aminoglicosideos, cloranfenicol, fluorquinolona, clindamicina, amoxicilina/ácido clavulônico e imipenem. As espécies de Campylobacter são resistentes a penicilina, cefalosporinas e sulfonamidas. A eritromicina ou a azitromicina são os antibióticos de escolha para o tratamento da enterite, sendo a tetraciclina e as fluorquinolomas usadas como antimicrobianos secundários.

A resistência as fluorquinolonas tem aumentado de modo que estes fármacos podem ser menos efetivos. A amoxicilina/ácido clavulônico podem ser usado no lugar da tetraciclina, que é contra indicados em crianças jovens. Infecções sistêmicas são tratadas com aminoglicosideos, cloranfenicol e imipenem.

A Campylobacteriose entérica pode ser prevenida pelo preparo adequado de alimentos (particularmente em aves) e evitando o consumo de produtos lácteos, não pasteurizados implementando medidas para prevenir a contaminação dos suprimentos de água, é pouco provável que o estado do portador de Campylobacter em reservatórios animais, como frangos e perus venham ser eliminadas, assim o risco das infecções a partir destes animais continuem existindo.


Referências bibliográficas

BLACK J. G. Microbiologia: Fundamentos e perspectivas. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. 2002. p. 139.

BUTZLER, J.P. Campylobacter, from obscurity to celebrity. Clin. Microbiol. Infect. 2004. v.10, p.868- 876.

CARVALHO, A.C.F.B.; COSTA, F.N. Ocorrência de Campylobacter sp em carcaças e cortes de frango ao nível industrial e comercial. Rev. Hig. Alim.,1996. v.10, p.41-43.

CARVALHO, A.C.F.B.; LIMA, V.H.C.; PEREIRA, G.T. Determinação dos principais pontos de risco de contaminação de frangos por Campylobacter, durante o abate industrial. Rev. Hig. Alim.,2002. v.16., p.89-94.

FREITAS, J. A.; NORONHA, G. N. Ocorrência de Campylobacter spp. em carne e miúdos de frango expostos ao consumo em Belém, Pará. Belém: Arq. Bras. Med. Vet. Zootec. 2007. v.59, n.3, p.813-815.

HUNT, J.M.; ABEYTA, C.; TRANT, T. Campylobacter In: Bacteriological manual online. Revision A.Washington,DC: Center for Food Safety and Applied Nutrition, 2001. 8 ed. cap 7.

MADIGAN, M. T. et al. Microbiologia de Brock. São Paulo: Prentice Hall. 2004. 10 ed. CD-ROM.

Diego Marques Moreira
Bacharel em Farmácia pela Universidade Braz Cubas, UBC Mestrando em Neurociências pela Universidade Federal do Estado de São Paulo, UNIFESP . Professor em curso Técnico das matérias de Fisiologia, Anatomia, Microbiologia, Parasitologia, Genética, Deontologia farmacêutica, Farmacologia, Toxicologia, Saúde Pública, Controle de Qualidade e Bioquímica
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